segunda-feira, 8 de junho de 2020

Verdades


Caros leitores,

Apresento a seguir, pensamentos que tratam sobre as verdades, nos seus mais diversos aspectos: sociais, psíquicos, espirituais, filosóficos, etc.
Iniciamos este conteúdo, com os pensamentos do autor ANSELM GRUN, que vocês poderão encontrar descritos no livro: Jesus como terapeuta - O poder curador das palavras. Anselm Grun descreve o poder de cura praticado pelo Nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio das parábolas. Trata-se de um ensinamento poderoso deixado pelo Mestre, através das palavras, a toda humanidade.

O psicólogo C.G. Jung vê o ser humano como marcado por polos opostos. O homem comporta em si amor e agressão, razão e emoção, gentileza e dureza, anima e animus – partes femininas e partes masculinas da alma. Muitas vezes vivemos apenas um polo e recalcamos o outro. Enquanto este permanecer nas sombras terá um efeito destrutivo ao retornar. Muitos ficam chocados quando, apesar de todo esforço para serem pessoas amáveis e gentis, descobrem em si lados insensíveis, antipáticos e ofensivos.
Este é o tipo de choque experimentado pelos escravos do proprietário que havia semeado boas sementes em seu campo. “Quando o trigo germinou e fez a espiga, apareceu também o joio. Então os escravos do proprietário foram dizer-lhe: “Senhor, não semeastes semente boa em teu campo? Donde vem, pois, o joio? Ele respondeu: Foi um inimigo que fez isso.” (Mt 13, 26-28).
Acreditamos que semeamos boas sementes no campo da nossa alma, mas em meio ao trigo, descobrimos o joio. Como os escravos, nosso primeiro impulso é arrancá-lo. Mas o senhor lhes diz: “Não, para que não aconteça que, ao arrancar o joio, arranqueis também o trigo. Deixai que os dois cresçam juntos até a colheita. No tempo da colheita direi aos que cortam o trigo: colhei primeiro o joio e atai-o em feixes para queimar; depois, recolhei o trigo no meu celeiro.” (Mt 13, 29-30)
Queremos apenas ser pessoas boas, mas também encontramos em nós uma inclinação ao mal. Queremos apenas ser amáveis, mas descobrimos em nós ódio e sentimentos de vingança, nos assustamos diante desse joio e queremos arrancá-lo imediatamente. Mas, se o fizermos, arrancamos com ele também o trigo. Quem, em sua tentativa de ser perfeito, tenta arrancar todo joio da sua alma, no fim acaba sem trigo para colher e sua vida se torna infrutífera. A fertilidade de nossa vida nunca é expressão de uma impecabilidade absoluta, mas resulta da confiança no fato de que o trigo é mais forte do que o joio e de que o joio poderá ser separado na colheita.
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Alguns acreditam que suas motivações para ajudar os outros deveriam ser completamente puras e altruístas, seu sacrifício pela família não deveriam ser feito com qualquer segunda intenção. Esses são nossos ideais, mas a realidade é outra. Na verdade, nossas motivações são sempre heterogêneas e “impuras”. Quando alguém prega e acredita que o faz apenas para proclamar a Palavra de Deus, muitas vezes deixa de perceber a ambição e a vaidade que se infiltram em suas palavras.
Os primeiros monges lidavam com isso de forma mais misericordiosa e, ao mesmo tempo, mais humilde. Certa vez um monge veio ao padre do deserto, Poimen e lhe contou que, sempre que praticava o bem, os demônios o menosprezavam, dizendo: “- Você só faz isso para agradar aos homens.” Então, Poimen contou ao monge a seguinte história: “Dois homens, que eram camponeses, viviam na mesma cidade. Um deles semeava apenas poucas sementes, e estas eram impuras; o outro não semeava nada e, portanto, não colhia nada. Agora, se surgir uma grande fome, qual dos dois terá o que comer?” O frade respondeu: “- Aquele que semeou as poucas sementes impuras.” Então, o ancião lhe disse: “Façamos então o pouco e semeemos, mesmo que as sementes sejam impuras, para que não morramos de fome.”
Em tudo que fazemos devemos ser permeáveis ao Espírito de Deus. Mas sempre devemos permanecer humildes e contar com a possibilidade de que nossas atividades espirituais puras se misturem com segundas intenções. Estas são o joio. Enquanto vivermos, o joio crescerá no campo da nossa alma. Isso nos impõe humildade e nos protege de uma dureza falsa em relação a nós mesmos e aos outros. Devemos ser humanos entre os humanos, não devemos nos colocar nem acima nem abaixo de ninguém. Nós, cristãos, não devemos excluir absolutamente ninguém.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida...”
Jesus Cristo

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